Teresina. Um estudante de 14 anos que havia sido atropelado durante um protesto pela redução do preço da passagem de ônibus em Teresina (PI) morreu na noite de ontem após ficar dez dias internado na UTI.
As manifestações tiveram continuidade ontem com menos intensidade, que no início do movimento que lotou por vários dias as ruas do Rio FOTO: REUTERS
Paulo Patrick Silva de Castro havia sofrido traumatismo no crânio e fraturas nos braços e pernas após ser atingindo por um táxi durante manifestação no dia 26 de junho.
O ato pedia a redução da tarifa de ônibus de R$ 2,10 para R$ 1,75 , além de passe livre. O garoto foi para o ato sem o consentimento da mãe.
Por volta das 20h de ontem, a equipe médica do Hospital São Paulo, em Teresina, atestou a morte cerebral do adolescente. Trata-se da 16ª morte decorrente de protestos realizados em todo o país nas últimas semanas.
"Ele lutou até o fim, mas nos últimos dias não estava reagindo ao tratamento. Sua pressão foi a zero e seu cérebro com a lesão estava deteriorando. Não havia mais jeito", disse emocionado Arthur Kauê de Castro, 16, irmão da vítima.
Arthur conta que o sonho do irmão era ir para a seleção brasileira de handebol. Paulo era estudante secundarista e atleta do time de handebol do colégio Caic Balduíno, em Teresina.
A família anunciou a doação dos órgãos (córnea, rim, fígado e coração). Por isso, o sepultamento do estudante só será realizado nesta segunda.
Atropelamento
Paulo foi atropelado no momento em que o protesto do qual participava interditou a ponte Juscelino Kubitschek, principal via de ligação entre as avenidas Frei Serafim a João 23.
Um grupo de cem estudantes fechou a ponte e, no meio do corre-corre após confronto com a tropa de choque da Polícia Militar, Paulo foi atingido por um táxi no momento em que tentava passar de uma pista para a outra, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A Polícia Civil abriu inquérito e ainda investiga se o atropelamento foi acidental. No mesmo dia, outro estudante foi esfaqueado na avenida Frei Serafim durante as manifestações em Teresina. Ele foi socorrido e passa bem.
Balanço
Além de Paulo, pelo menos outras 15 pessoas morreram no país em decorrência de protestos realizados por diferentes grupos, com pautas de reivindicações variadas.
Cinco mortes - uma no Rio Grande do Sul e quatro na Bahia - tiveram relação direta com os protestos de caminhoneiros que interditaram rodovias na semana passada para pedir, entre outras coisas, redução no preço de pedágios e do combustível.
A demais mortes ocorreram em protestos na parte mineira da rodovia Fernão Dias (5), em Belo Horizonte (1), em Ribeirão Preto (1), em Belém (1) e numa rodovia perto do município goiano de Cristalina (2). A Polícia Civil de Minas Gerais ainda investiga outra morte que pode ter relação com protestos.
Na quinta-feira, um menino morreu após ter sido baleado na cabeça em Santa Luzia (região metropolitana de Belo Horizonte). Ele foi atingido supostamente por um PM aposentado. A polícia diz que o suposto autor do disparo atirou para dispersar manifestantes. Os vizinhos, no entanto, dizem que na rua onde o menino foi baleado não havia protesto e que o tiro foi disparado contra crianças que jogavam bombinhas na rua.
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