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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Como o nordeste virou a China brasileira

João Carlos Paes Mendonça (Foto: Helia Scheppa)
Há 15 anos, o empresário sergipano João Carlos Paes Mendonça não tinha investimentos em shopping centers. Hoje, seu grupo, JCPM, é um dos cinco maiores do país no setor, com participação acionária em 11 shoppings. Seu sucesso é consequência e causa do crescimento econômico do Nordeste, onde ele concentra seus empreendimentos. Nos últimos 15 anos, a região, com mais de 53 milhões de habitantes (27% da população brasileira), deixou de ser vista como um caso de crise e pobreza sem solução. Entre 1995 e 2009, o PIB nordestino cresceu 53,4%, 14% acima da média do país. O crescimento nordestino é consequência de três movimentos: injeção de dinheiro público na economia local (com obras de infraestrutura e programas de renda mínima), crescimento de empresas locais (como o grupo JCPM) e atração de empresas multinacionais e de outras regiões do país.
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Maior bolsão de pobreza do Brasil, com metade da população nas classes C, D e E, o Nordeste foi o principal beneficiário da queda da inflação, a partir de 1994, e dos programas de redistribuição de renda, como o Bolsa Família, desde 2003. O Nordeste recebe metade dos recursos distribuídos pelo Bolsa Família (R$ 4,2 bilhões, nos quatro primeiros meses deste ano). A região também é foco prioritário das obras de infraestrutura do governo federal. No governo Lula (2003-2010), 18% dos investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) contemplavam o Nordeste. “O valor orçado era superior ao PIB da região”, diz Alexandre Rands, economista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Com os repasses do Estado, o vento de prosperidade soprou o mercado nordestino de baixo para cima. Beneficiou desempregados, trabalhadores, pequenos e grandes empreendedores locais, como Paes Mendonça. Entre 2008 e 2010, a taxa de sobrevivência de empresas no Nordeste superou a média nacional. “O custo Nordeste é muito menor que o custo Brasil”, diz Edênio Nobre, diretor do BicBanco, banco cearense especializado em empresas de pequeno e médio porte. Segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os pequenos negócios já são responsáveis por 58,2% dos empregos com carteira assinada no Piauí. “O empreendedorismo está em alta, num ambiente próximo ao pleno emprego”, diz Luiz Barretto, presidente do Sebrae. De 2002 a 2012, a região criou mais postos de trabalho que a média nacional. O impacto direto desse desenvolvimento pode ser visto na evolução da renda média por habitante. No Nordeste, ela foi maior que a média nacional. Isso permitiu uma inversão no tradicional movimento migratório de nordestinos para o Sudeste. Ele encolheu 5%, desde os anos 2000. No mesmo período, o número de não nordestinos que decidiram se estabelecer na região cresceu 14%. “Isso é importante, pois estamos falando da região mais difícil do país”, diz João Policarpo Lima, pesquisador da UFPE.

Para Paes Mendonça, o maior dinamismo da economia local foi a oportunidade para lançar empreendimentos de maior valor agregado – uma transformação relevante, numa família que testemunhou o crescimento da economia da região. Desde os anos 1930, seu pai, Pedro, era dono de mercearias. Na década de 1960, a família passou a investir em supermercados, como a rede Paes Mendonça. Em 2000, ele se afastou do varejo. Vendeu os supermercados Bom Preço e o cartão de crédito Hipercard, para montar o grupo JCPM. Além de 11 shopping centers, o JCPM atua nos setores imobiliário e de comunicações. É hoje o maior grupo empresarial da região. “Um novo mercado se abriu para profissionais mais qualificados, salários mais altos e consumidores mais exigentes”, diz Paes Mendonça.

Multinacionais foram atraídas para o Nordeste: Mondel’s International (antiga divisão de guloseimas da Kraft Foods), Fiat, Ford e Coca-Cola são exemplos. “As empresas instalaram-se atraídas por um mercado proporcionalmente maior que a renda gerada na região, dada a grande transferência de recursos do governo federal”, afirma Rands, da UFPE. Além do potencial do mercado consumidor emergente, pesaram na decisão das empresas incentivos fiscais generosos, como isenção de ICMS, e a presença de portos integrados a polos industriais. É o caso dos portos de Camaçari, na Bahia, e de Suape, em Pernambuco. Sede da fábrica da Ford na Bahia, Camaçari responde por 30% do PIB do Estado.

A industrialização faz o Nordeste seguir os passos do desenvolvimento trilhados pelo Sudeste há seis décadas. Há um longo caminho a percorrer. As carências mais significativas estão no semiárido nordestino, desprovidas do dinamismo econômico das capitais litorâneas. Apesar das obras do PAC, portos, aeroportos e estradas são ineficazes. “A falta de infraestrutura ainda é um entrave. Não temos estradas suficientes”, diz Paes Mendonça. “Nem ferrovias que sirvam de alternativa.” A educação também preocupa. Em 2007, quase 20% da população nordestina com mais de 15 anos não sabia ler ou escrever, ante a média nacional de 10%. A educação, como em todo país, deve ser prioridade.
Há 15 anos, Graziele Oliveira dividia seu tempo entre escola, natação e livros de Sherlock Holmes  
Crescimento com a mão do Estado (Foto: ÉPOCA)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Brasileiros querem viajar para o Nordeste, diz pesquisa do MTur

A região aparece no topo da preferência de 55% dos entrevistados. O Sudeste aparece com 19,9% das A maioria dos brasileiros que pretende viajar pelo Brasil até dezembro deste ano irá para algum destino do Nordeste. Mais de 55% dos entrevistados, em junho, em sondagem encomendada pelo Ministério do Turismo, apontaram a região como roteiro de viagem nos próximos seis meses.
Fortaleza é um dos destinos preferidos
Depois da região Nordeste, o Sudeste aparece como segundo destino, com indicação de 19,9% dos entrevistados que pretendem viajar. As posições vêm se mantendo desde janeiro passado, de acordo com a Sondagem do Consumidor – Intenção de Viagem, realizada mensalmente pela Fundação Getúlio Vargas nas seis maiores regiões metropolitanas do país.
A região Sul aparece com 11,9%, a Centro-Oeste com 9% e a Norte com 4% na indicação dos entrevistados em Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Se comparado ao mês passado, houve aumento no percentual de entrevistados que pretendem viajar para o Norte, Nordeste e Centro-Oeste e queda na intenção de viagem para o Sul e Sudeste.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Morre a 16ª vítima após início de protestos

O estudante de 14 anos participou do protesto em Teresina, sem o consentimento da mãe e morreu atropelado
Teresina. Um estudante de 14 anos que havia sido atropelado durante um protesto pela redução do preço da passagem de ônibus em Teresina (PI) morreu na noite de ontem após ficar dez dias internado na UTI.

As manifestações tiveram continuidade ontem com menos intensidade, que no início do movimento que lotou por vários dias as ruas do Rio FOTO: REUTERS

Paulo Patrick Silva de Castro havia sofrido traumatismo no crânio e fraturas nos braços e pernas após ser atingindo por um táxi durante manifestação no dia 26 de junho.

O ato pedia a redução da tarifa de ônibus de R$ 2,10 para R$ 1,75 , além de passe livre. O garoto foi para o ato sem o consentimento da mãe.

Por volta das 20h de ontem, a equipe médica do Hospital São Paulo, em Teresina, atestou a morte cerebral do adolescente. Trata-se da 16ª morte decorrente de protestos realizados em todo o país nas últimas semanas.

"Ele lutou até o fim, mas nos últimos dias não estava reagindo ao tratamento. Sua pressão foi a zero e seu cérebro com a lesão estava deteriorando. Não havia mais jeito", disse emocionado Arthur Kauê de Castro, 16, irmão da vítima.

Arthur conta que o sonho do irmão era ir para a seleção brasileira de handebol. Paulo era estudante secundarista e atleta do time de handebol do colégio Caic Balduíno, em Teresina.

A família anunciou a doação dos órgãos (córnea, rim, fígado e coração). Por isso, o sepultamento do estudante só será realizado nesta segunda.

Atropelamento
Paulo foi atropelado no momento em que o protesto do qual participava interditou a ponte Juscelino Kubitschek, principal via de ligação entre as avenidas Frei Serafim a João 23.

Um grupo de cem estudantes fechou a ponte e, no meio do corre-corre após confronto com a tropa de choque da Polícia Militar, Paulo foi atingido por um táxi no momento em que tentava passar de uma pista para a outra, segundo a Polícia Rodoviária Federal. A Polícia Civil abriu inquérito e ainda investiga se o atropelamento foi acidental. No mesmo dia, outro estudante foi esfaqueado na avenida Frei Serafim durante as manifestações em Teresina. Ele foi socorrido e passa bem.

Balanço
Além de Paulo, pelo menos outras 15 pessoas morreram no país em decorrência de protestos realizados por diferentes grupos, com pautas de reivindicações variadas.

Cinco mortes - uma no Rio Grande do Sul e quatro na Bahia - tiveram relação direta com os protestos de caminhoneiros que interditaram rodovias na semana passada para pedir, entre outras coisas, redução no preço de pedágios e do combustível.

A demais mortes ocorreram em protestos na parte mineira da rodovia Fernão Dias (5), em Belo Horizonte (1), em Ribeirão Preto (1), em Belém (1) e numa rodovia perto do município goiano de Cristalina (2). A Polícia Civil de Minas Gerais ainda investiga outra morte que pode ter relação com protestos.

Na quinta-feira, um menino morreu após ter sido baleado na cabeça em Santa Luzia (região metropolitana de Belo Horizonte). Ele foi atingido supostamente por um PM aposentado. A polícia diz que o suposto autor do disparo atirou para dispersar manifestantes. Os vizinhos, no entanto, dizem que na rua onde o menino foi baleado não havia protesto e que o tiro foi disparado contra crianças que jogavam bombinhas na rua. 

Ceará contabiliza 700 autuações por crimes ambientais

De janeiro a junho, já foram capturados 1.258 animais, 952 eram pássaros, além de 306 outros bichos
Ao todo, foram lavrados 700 autos de infração relativos a crimes ambientais no Estado, nos seis primeiros meses de 2013, conforme o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Destes, 90% correspondem a autuações contra a fauna, principalmente a apreensão de aves silvestres. Na Operação Migratórios do Ibama, realizada de maio até o último dia 6, houve apreensão de 4.500 avoantes, e um total de 60 autuações.

Anualmente, ocorre uma média de 1.800 autuações desta natureza. Somente na Operação Migratórios, do Ibama, por exemplo, realizada de maio até o último dia 6, houve apreensão de 4.500 avoantes FOTO: ALEX COSTA

Apesar queda de 12,5% de um ano para o outro, comparando com igual período de 2012 - quando foram lavrados 800 autos de infração, - estes crimes ainda preocupam órgãos competentes. Segundo o Ibama, anualmente ocorre uma média 1.800 autuações desta natureza.

O balanço do Batalhão de Polícia de Meio Ambiente (BPMA), mostra uma elevada quantidade apreensões de animais silvestres, ou seja, crimes ambientais contra a fauna. De janeiro a junho deste ano, já foram capturados 1.258 animais, 952 eram pássaros e 306 outros bichos.

Segundo o chefe da fiscalização do Ibama, Rolfran Cacho Ribeiro, a maior parte destas aves silvestres são comercializadas em feiras livres, como a Feira da Parangaba, onde, de acordo com ele, os bichos são vendidos por valores de R$ 30 a R$ 1 mil.

A maior parte destes animais são oriundos tanto do Interior do Ceará, de cidades como Crato, Canindé, Miraima, Sobral, Parambu, quanto do Norte do País. Rolfran informou ainda, que devido ao transporte irregular, destes animais 30% morrem.

Transporte
"Muitas destas aves são transportadas nestes caminhões de madeireiras e ao longo da viagem são alimentados de forma inadequada. Acabam não resistindo. No caso de animais como os macacos até cachaça costumam dar para estes animais", diz Rolfran.

A maioria dos autos são contra traficantes, vendedores e transportadores de espécies silvestres. As situações irregulares mais constatadas são de comércio ilegal, manutenção em cativeiro e tráfico de animais.

Além da fauna, os crimes mais recorrentes, segundo o Ibama, são contra a pesca, degradação ambiental, transporte de produtos florestais, armazenamento e comércio. Dentre os animais mais apreendidos nas operações estão os papagaios, periquitos, galo campina, sabiá, bigodeiro, gavião, macaco prego e jacaré.

Os crimes contra a fauna costumam ocorrer ao longo do ano, já quanto a pesca, o período de julho a novembro é o mais recorrente. Em relação à degradação ambiental e transporte de produtos florestais, as ocorrências são de janeiro a julho.

Segundo o responsável pelo BPMA, major Marcus Costa, os delitos ambientais ocorrem durante o ano, "porém alguns são sazonais por forma de norma legal, como a piracema, que é o período de reprodução dos peixes, onde a pesca de algumas espécies é proibida e o defeso da lagosta (janeiro a maio), e outros ocorrem mais de quinta à domingo, como a poluição sonora e as rinhas de galo".

Além disso, somente a BPMA apreendeu 113 galos, e o Ibama 240. "Quando falamos em canários, este quantitativo é superior. Somente neste ano, capturamos 295 em rinhas", acrescentou Rolfran Cacho.

sábado, 6 de julho de 2013

Salinização de áreas irrigadas degrada terras do Nordeste

Um sítio, em Ibimirim, no sertão dePernambuco, foi abandonado. O agricultor, que já plantou tomate, milho e cebola no lote irrigado, não se conforma. “Não dá para plantar mais nada. Aqui está inutilizado pra gente”, observa Marlos Robson Dávila.
A  ameaça que degrada os solos e  avança pelas terras secas do semiárido é a salinização. O resultado é devastador. A primeira impressão que a gente tem é que todo esse terreno foi coberto por uma fina camada de areia, mas olhando de perto, a gente observa que a mancha branca no chão é formada por uma concentração de sais. Esse processo de salinização acaba com a fertilidade do solo.
O chão branco é como uma sentença para a terra. A composição do solo - muito rico em minerais - e as águas subterrâneas - muito salgadas do Nordeste - ajudam a explicar o processo de salinização que se agrava com a seca severa.
O calor causa a forte evaporação que retira a água do subsolo e trás os sais até a superfície. A água dos reservatórios também evapora, deixando os sais cobrindo a terra.
“À medida que você vai diminuindo a quantidade de água, vai aumentando a concentração e, consequentemente, o teor de sal vai aumentar", explica Geilson Demétrio, professor de hidrogeologia da UFPE. 
Os pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco medem uma vez por mês a quantidade de sal de 70 poços usados para irrigação no sertão do estado e comprovaram que as águas subterrâneas têm uma concentração muito grande de sais.
“Uma água com quantidade de sais muito próximas à do mar”, relata Robertson Fontes Jr., pesquisador da UFRPE.
A recuperação de terras salinizadas custa caro e pode levar anos. Em muitos casos é inviável. A longo prazo, a salinização pode provocar um problema ambiental ainda mais grave.
“Desertificação, degradação e perda de área produtiva”, alerta Abelardo Montenegro, professor de recursos hídricos da UFRPE.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Aquecimento global terá maior impacto na agricultura do Nordeste

Estudo sugere manejo sustentável associado a novas tecnologias e políticas agrícolas menos predatórias
Numa escala de tempo ainda menor do que se poderia imaginar, o aquecimento global irá interferir diretamente na produção de alimentos. O estudo "Aquecimento Global e a Nova Geografia da Produção Agrícola no Brasil", realizado por Embrapa e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) é enfático: ou o Brasil muda a sua forma de produzir alimentos ou a agricultura entrará em colapso. O estudo prevê que a situação será mais dramática no Nordeste. E aponta uma solução: uso de novas tecnologias e manejo sustentável integrado.

Consumo de alimentos estará comprometido sem mudanças urgentes
FOTO: KID JÚNIOR
"Podemos adotar práticas de mitigação imediatamente, como fomentar o plantio direto, incentivar a integração entre pecuária e lavoura e os sistemas agrossilvopastoris, reduzir queimadas e o desmatamento, recuperar as pastagens. A maneira de fazer o pasto como importamos da Europa, dos Estados Unidos, no modelo arrasa-quarteirão, com nenhuma árvore no pasto, vai ter de mudar", explica o pesquisador da Embrapa Eduardo Delgado Assad, coautor do estudo.

O tempo urge porque, ainda que as mudanças para um maior aquecimento estejam previstas para 10, 20 anos, mas para se lançar uma variedade mais adaptada ao meio são necessários aproximadamente dez anos.

De acordo com o estudo, até mesmo o melhoramento genético seria uma alternativa de médio prazo, pois em um considerável aumento da temperatura (acima de 2ºC) traria problemas para fotossíntese. Para Assad, as tecnologias serão muito úteis, mas se integrada com políticas de mitigação da exploração dos recursos. Ele afirma que atualmente a agricultura é praticada de forma predatória e migratória das culturas. A pesquisa esclarece que quando se fala em aquecimento global não é só falta de água, na evidente situação de seca. Até mesmo a agricultura irrigada sofrerá, pois se trata do comportamento da produção agrícola diante do aumento da temperatura.

A Zona Norte do Ceará produz morango em áreas elevadas e com temperatura mais amena. De acordo com estudo da Embrapa e da Unicamp, as variedades adaptadas ao clima não seriam indicadas com o aquecimento global FOTO: WILSON GOMES
No caso do Nordeste, o estudo avalia que, tendo um impacto ainda maior, pensar na produção de variedades adaptadas à seca pode ser um erro. A sugestão é potencializar as plantas locais que já servem de alimentos. Tal medida pode ir de encontro às produções agrícolas exóticas com vistas à exportação, como é o caso do morango, no Ceará. O aquecimento só não traria uma péssima situação para a cana-de-açúcar, que teria menos áreas de riscos, favorecendo a produção de etanol. Tampouco isso quer dizer que o país encontre saída nessa monocultura, afinal estamos falando de alimentos.

Redução de carbono

Vale a pena esclarecer que o Brasil tem discutido a redução de emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE). Entre julho de 2012 e maio deste ano, os financiamentos pelo Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (ABC) alcançaram R$ 2,7 bilhões. O Plano ABC firmou contrato com 15 mil produtores rurais para adotarem novas tecnologias que reduzam os gases, como a recuperação de pastagens degradadas e o sistema de plantio direto. O objetivo é reduzir as emissões de GEE entre 36,1% e 38,9% até 2020.

domingo, 30 de junho de 2013

Eleitores do Nordeste, mais velhos, menos instruídos, pobres e do interior sustentam Dilma Rousseff

Quando se faz um recorte na taxa de intenção de voto de Dilma Rousseff para presidente (29% a 30%, segundo o Datafolha), nota-se que a presidente se sustenta com base em eleitores do Nordeste, mais velhos, menos instruídos e os que vivem no interior.
O cenário ainda mais provável para a sucessão de 2014 inclui Dilma, Marina Silva (Rede), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). Eles pontuam 30%, 23%, 17% e 7%, respectivamente.
Mas veja o que acontece com os 30% Dilma Rousseff quando se estratifica o resultado:
- Região: a presidente tem 45% no Nordeste contra apenas 22% no Sudeste, 27% no Sul e 28% no Norte/Centro-Oeste;
- Natureza do município: Dilma tem 24% em capitais e regiões metropolitanas e 34% em cidades do interior;
- Idade: a petista tem 33% entre os eleitores de 60 anos ou mais e 27% na faixa de 16 a 24 anos;
- Escolaridade: Dilma tem 38% dos votos dos eleitores com ensino fundamental, mas só 19% daqueles que têm curso superior;
- Renda familiar mensal: a presidente recebe o apoio de 36% da faixa até 2 salários mínimos e 19% no grupo que ganha mais de 10 salários mínimos.
O que tudo isso significa? Que o voto de Dilma Rousseff é bem menos homogêneo do que foi em levantamentos passados. E que os apoios estão no estrato do eleitorado que até hoje mais se beneficiou das políticas sociais petistas.
Nesse cenário (a petista contra Marina, Aécio e Campos), Dilma Rousseff já perde numericamente para Marina Silva no Sudeste (24% a 22%) e no Norte/Centro-Oeste (30% a 28%). A diferença percentual nesses casos está dentro da margem de erro, mas ainda assim é um sinal inédito para a presidente no atual ciclo eleitoral.
Entre os jovens de 16 a 24 anos, Marina Silva tem 31% contra 27% de Dilma.
No caso dos eleitores com nível superior, a diferença é grande: Marina vaia 33% contra apenas 19% de Dilma.

Água sem tratamento em caminhões-pipa mata 37 pessoas no Nordeste

A distribuição de água sem tratamento por carros-pipa no interior de Alagoas pode ser a causa de doenças diarreicas agudas que causaram a morte de 37 pessoas no período entre 19 de maio e 30 de junho último.
O resultado trágico de um trabalho coordenado pelo Exército Brasileiro foi revelado em audiência pública na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados,
A operação a cargo do Exército contempla distribuição de água a 810 municípios nordestinos em estado de calamidade pública devido à seca, por meio de caminhões-pipa.
Os carros-pipa estão abastecendo 2.234 localidades afastadas e 77 municípios, o que representa 75% do total dos municípios de Alagoas.
Segundo nota técnica do departamento do Ministério da Saúde, informações da Secretaria de Saúde de Alagoas dão conta de que "os carros-pipa estão captando água bruta e não estão realizando nenhum tipo de tratamento, antes de disponibilizá-la para a população, o que causa alto risco à saúde".
De acordo com o documento, análises da água para consumo humano distribuída em Alagoas evidenciaram a presença de diversos tipos de micro-organismos causadores de doença, como Escherichia coliShiguella, SalmonellaSalmonella typhiVibrio cholerae, rotavírus, protozoários e cianobactérias.
Do total de 50 municípios alagoanos reconhecidos pelo governo federal em situação de emergência ou calamidade pública, 13 apresentaram pelo menos um óbito por diarreia.
A pior situação é no município de Palmeira dos Índios, com 7.280 atendimentos de diarreia e dez óbitos.
O representante do Exército na audiência, coronel Neuzivaldo dos Anjos Ferreira, responsável pela operação dos carros-pipa no Semiárido nordestino, disse que é impossível para o Exército e os donos dos caminhões-pipa se responsabilizarem pelo tratamento da água distribuída à população.

Transposição está com 50% das obras já concluídas

Jati. As obras do Projeto de Transposição do Rio São Francisco, no trecho de Mauriti, deverão ser retomadas ainda este mês, quando será concluído o processo de licitação para os últimos trechos que estão paralisados na Meta 3 Norte, das obras da Transposição. O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, esteve na noite de quinta-feira, em visita de inspeção ao canteiro de obras do reservatório no município de Jati, onde estão trabalhando cerca de 600 pessoas, com mais de 230 maquinários mobilizados.

Ministro Fernando Bezerra vê detalhes do projeto no canteiro de Jati FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
Ele afirma que a maior obra de infraestrutura hídrica do Brasil chega a 50% de conclusão da sua parte física, com a irreversibilidade do projeto no Brasil. O ministro disse que estará de volta ao Cariri e à Paraíba, até o próximo dia 19 de julho, para assinar a ordem de serviço dos trechos parados, correspondentes à Meta 3 Norte, dos antigos lotes 6 e 7, que inclui o Estado da Paraíba, onde ele vai inaugurar a Meta 3 Leste.

Modalidade

"Estamos concluindo o processo licitatório da meta 3N. São as últimas frentes a serem mobilizadas, e acredito que até o final da próxima semana se conclua", diz ele, ao prever a sua vinda ainda este mês para assinar a ordem de serviço.

O ministro explica que a licitação está sendo feita em regime de RDC, que é um diferencial de contratação de compras, e por isso há uma tramitação mais demorada, por considerar o modelo de preço oculto. Algumas das concorrentes ainda não chegaram ao preço cotado pelo Ministério da Integração Nacional.

Em relação aos trechos danificados na obra em Mauriti, entre os distritos de Palestina e Umburanas, o ministro disse que as negociações com as empresas responsáveis pelos serviços estão voltadas para o processo de recuperação. Algumas delas estão ressarcindo o ministério com os prejuízos.

Até 2014, segundo ele, a meta é estar com 100 quilômetros do canal, no eixo Norte e também do Leste, concluídos. E, até 2015, terminar o projeto em sua plenitude. Já são mais de 5 mil pessoas trabalhando. Até setembro deste ano, o ministro afirma que deverão estar trabalhando mais de 7,5 mil pessoas, nas obras desses dois eixos.

Fernando Bezerra afirma que a novidade da obra são os turnos de 24 horas, que estarão presentes em praticamente todas as frentes de trabalho.

Também ressalta a grande importância do Canal da Integração do Ceará (Eixão), que beneficiará municípios da região. Ela informou que a presidente Dilma Rousseff estará ainda neste mês no Cariri para dar ordem de serviço juntamente com o governador do Estado, Cid Gomes, que irá investir R$ 1,6 bilhão no empreendimento. Mauriti está incluída na chamada Meta 3N do projeto, no Eixo Norte da transposição, a área que percorre 81 quilômetros, onde se encontra a maior parte das obras no Ceará.

O trecho de Jati inclui a construção de seis novos reservatórios e a ampliação do Açude Atalho. Atualmente, as atividades estão concentradas na construção de duas barragens (Jati e Porcos) e na escavação do canal, que ligará o Açude Atalho à barragem Jati.

O investimento do Governo Federal nas obras da Meta 2N, situada nos municípios cearenses de Jati, Brejo Santo e Mauriti, totaliza R$ 518 milhões.

Após a vistoria no Ceará, o ministro Fernando Bezerra seguiu para Salgueiro (PE). Neste trecho, correspondente à Meta 1N, 2,7 mil trabalhadores atuam na construção de canais, aquedutos, estações de bombeamento e barragens.

Com trabalhos 24 horas por dia, a Meta 1N está localizada entre as cidades pernambucanas de Salgueiro, Cabrobó e Verdejante, e em Penaforte, no Ceará. Serão investidos R$ 772 milhões nas obras desta etapa.

Pioneira
O secretário de Infraestrutura Hídrica do Ministério da Integração, Francisco José Teixeira, afirma que a primeira barragem a receber água será a de Jati. O eixo Norte começa em Cabrobó (PE) e a água passa a ter bombeamento por meio de estações próximas a Salgueiro, além de chegar através de um túnel à barragem do Cariri e também no açude Atalho, do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs).

Serão mais de 70 barragens a receber as águas do Velho Chico. "Essa obra de Jati é a barragem mais importante do eixo Norte do Ceará e vai receber a primeira água do São Francisco, que vai atender o Riacho dos Porcos, Rio Salgado, até o Castanhão", disse o secretário estadual.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Manifestação em Fortaleza, no nordeste do Brasil, termina com confrontos e prisões

Fortaleza - Milhares de pessoas voltaram a protestar nesta quinta-feira (27), no Brasil, contra a corrupção e por reformas políticas. Em Fortaleza, os protestos terminaram em confrontos entre policiais e manifestantes e dezenas de detenções.
A Polícia Militar do Ceará entrou em confronto com manifestantes na tarde desta quinta-feira (27) durante protesto na Avenida Dedé Brasil, em Fortaleza (CE). Os manifestantes se dirigiam à Arena Castelão, onde estava sendo disputada a partida de semifinal da Copa das Confederações entre Espanha e Itália. Até agora, 72 pessoas foram detidas, segundo informação da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Estado do Ceará (SSPDS).
Os manifestantes protestavam contra os megaeventos, como a Copa das Confederações e a Copa do Mundo, e também reivindicavam um reforma política, 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para a educação pública, 10% do PIB para a saúde pública. Além das pautas nacionais, o movimento pedia a criação de um fundo para obras contra a seca, redução imediata da tarifa de ônibus dos atuais R$ 2,20 para R$ 2,00, aumento salarial para os professores do ensino básico da rede estadual e ainda suspensão das obras do Acquário, equipamento turístico na Praia de Iracema, e da ponte estaiada sobre o Rio Cocó.
A manifestação, marcada durante uma assembleia popular na segunda-feira (24), teve início às 10h com as pessoas se concentrando perto da Universidade Estadual do Ceará . De acordo com a PM, 5 mil pessoas participaram da marcha, entre elas representantes de entidades de movimentos estudantis, do MST, da Associação dos Cabos e Soldados do Ceará, do Conselho Municipal de Saúde, sindicato dos motoristas de ônibus, trabalhadores da construção civil, movimento Mais Pão - Circo, Copa para Quem? Por volta das 11h, os ativistas ocuparam a Avenida Dedé Brasil e iniciaram uma caminhada em direção à Arena Castelão.
A partir das 14h, começaram os confrontos entre a polícia e os manifestantes. Ao passarem da primeira barreira de contenção formada pela polícia, os manifestantes foram barrados pela Tropa de Choque. Houve tumulto e um carro de uma emissora de TV local foi incendiado. De acordo com o tenente-coronel Fernando Albano, a Tropa de Choque conseguiu dispersar a manifestação e liberar a avenida.
Até as 17h, ainda havia pontos de manifestação. "Tem ainda uns pontos dispersos, mas a Avenida Dedé Brasil foi liberada e até o final da partida tudo deve estar em ordem", disse Albano por telefone à Agência Brasil. Albano justificou a ação da polícia como uma resposta a atos de provocações e atos de vandalismo que teriam sido praticados por alguns manifestantes.
Para um dos organizadores da manifestação, Livino Neto, a ação da polícia foi excessiva. "Eles usaram muita bomba e muita bala [de borracha] hoje. O ato estava com caráter pacífico, reunindo vários movimentos. A violência policial foi muito forte, soltaram a Tropa de Choque e a Cavalaria em cima da gente", disse.
Ainda de acordo com o manifestantes, os confrontos ocorrem porque as pessoas "não aguentam mais a falta de condições dignas de vida". "As pessoas estão em marcha indo para um estádio que custou mais de R$ 500 milhões enquanto elas não têm condições de saúde, de moradia e de educação. Elas querem mostrar sua indignação e não têm, nem acesso ao estádio, isso é que é violento", questionou Neto. "As manifestações são importantes porque revelam o que está adormecido há muito tempo". Agência Brasil.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Protestos tomam conta de todos os estados do Nordeste nessa quinta


Houve protestos em todos os estados do Nordeste nessa quinta (20). Em Natal, a prefeitura anunciou uma redução das passagens de ônibus. Mesmo assim, uma multidão foi para as ruas.
Uma hora antes do previsto, os manifestantes começaram a fechar a BR-101. Mais de 20 mil pessoas seguiram rumo ao centro de Natal.
“O objetivo de a gente estar aqui é para tentar mostrar que a gente consegue alguma coisa sem violência”, diz uma jovem.
Os manifestantes pediam melhorias no transporte público e passagem mais barata.
Mais de duas horas depois de o protesto ter acabado, a Tropa de Choque da Polícia Militar precisou agir na BR-101 para afastar um grupo que insistia em permanecer na BR e agindo com violência.
Pedras foram jogadas na porta de um shopping. Agências bancárias também foram alvo de vandalismo. A polícia usou bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. Onze pessoas foram levadas para a delegacia.
Em Aracaju, 16 mil pessoas saíram às ruas para cobrar a redução na passagem de ônibus.
Apesar dos apelos nos cartazes um grupo incendiou colchões.
Mais de dez mil pessoas fecharam a principal via de acesso ao centro de Maceió. Só houve um incidente: um adolescente atingido de raspão por um rojão.
Cerca de 20 mil manifestantes ocuparam as ruas de João Pessoa. Três ativistas foram presos por atos de vandalismo.
Em Teresina, a passeata reuniu 15 mil pessoas. Enquanto manifestantes entregaram flores aos policiais, vândalos quebraram vidros de ônibus.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Pesquisa revela que Nordeste, com 52,3% das intenções, é a região mais procurada para viagens em julho

Pesquisa elaborada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pelo Ministério do Turismo (MTur) mostra que cresceu o número de brasileiros que  pretende viajar pelo país nos próximos seis meses.
De acordo com a Sondagem do Consumidor -  Intenção de Viagem, 29,3% dos brasileiros desejam viajar nesse período. Em maio de 2012 esse índice era de 27,7%.
A maior parte dos entrevistados que pretende viajar (69,2%) vai optar por destinos nacionais, enquanto uma parcela pequena (29%) planeja viajar para o exterior. A região mais procurada é o Nordeste (52,3%), seguida do Sudeste (25,8%) e Sul (12,4%).
A maioria dos entrevistados (53,8%) pretende se hospedar em hotéis e pousadas e o meio de transporte mais usado é o avião (61%), seguido do automóvel (22,7%), e do ônibus (14,3%).
Sondagem do Consumidor – Intenção de Viagem é elaborada com base em dados de uma pesquisa mais ampla, denominada Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV.
Trata-se de uma amostra de mais de dois mil domicílios de Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O protesto mais simbólico e o melhor jogo até aqui vieram do Nordeste

Foi no estádio Castelão que muita gente resolveu protestar da forma mais simbólica possível por um Brasil melhor. Quando todos esperavam que a torcida desse as costas para o time e para a bandeira (o que alguns fizeram) eis que milhares decidiram cantar forte o hino nacional. Estufaram o peito num claro recado: Estão do lado do País.
O hino ecoou no estádio, mesmo depois que a versão reduzida da Fifa terminou. Um canto de esperança, de raiva, de basta. Um abraço em forma de música para mostrar que de bobo não temos mais nada. No lugar do desprezo veio o carinho. No lugar do tapa veio o afago. Um protesto de arrepiar!
E foi no Nordeste também que a Copa das Confederações viu seu melhor jogo. Uma das melhores partidas de toda a temporada aconteceu na Arena Pernambuco. Um Itália e Japão para explicar a paixão pelo futebol.
O 4x3 para os italianos pode ter sido repleto de falhas defensivas e muitos erros na frente. Mesmo assim, foi esse jogo que guardou o espírito do torneio. Um embate de tirar o fôlego, de luta até o fim, de lances perigosos e de muitos personagens.
A Copa das Confederações precisava de um jogo assim. E nós todos também.

No Ceará, Seleção "Paulista" expõe carências de Norte e Nordeste

Hulk comemora na Paraíba em partida contra a China no último ano: atacante costuma ser bem recebido no Nordeste Foto: AFP
Hulk comemora na Paraíba em partida contra a China no último ano: atacante costuma ser bem recebido no Nordeste
Foto: AFP
​Quatro representantes entre 23 jogadores. E acredite: é bem mais que nas últimas duas Copas do Mundo. ASeleção Brasileira que joga contra o México nesta quarta-feira, em Fortaleza, tem quatro jogadores nascidos na Região Nordeste, e nenhum na Região Norte.
Os baianos Dante e Daniel Alves, o pernambucano Hernanes e o paraibano Hulk são exceções no grupo brasileiro para a Copa das Confederações. O que reafirma as carências das duas regiões também no aspecto esportivo.
Norte e Nordeste, juntos, correspondem por mais da metade da extensão territorial do País e por mais de um terço da população. Na Seleção Brasileira, porém, a proporção é de três em 23. Só do estado de São Paulo, por exemplo, são 10 jogadores. "O Nordeste precisa de mais visibilidade. Tem muitas coisas boas que precisam ser apresentadas. Falta mais oportunidades", pediu Hulk. 
Até alimentação ruim em casa dificulta a formação de jogadores
Norte e Nordeste nas últimas Copas
ANO DO MUNDIALCONVOCADOS
2010Daniel Alves e Josué
2006Dida e Juninho Pernambucano
Coordenador das divisões de base do Vitória, João Paulo conduz um dos melhores processos de formação de jogadores das regiões citadas. Um dos segredos para esse sucesso, segundo ele, é a capacidade de encontrar talentos não só na Bahia, mas também em estados vizinhos. João destaca consequências da condição social inferior das duas regiões.
"Nós pegamos atletas que passaram fome quando eram criança. Ainda temos safras de jogadores que passaram por muitas necessidades. Tenho jogadores que chegam no profissional e, devido à infância, não conseguem se alimentar bem. Alguns que comiam farinha com açúcar no almoço, ou uma fruta da terra. Ou manga verde com sal. Aí chega debilitado aos profissionais, com contusões", detalha. Lembra, ainda, de diferenças estruturais. 
"No Nordeste, o Vitória e o Bahia são pioneiros, referências", cita para lembrar que em equipes de outros estados as diferenças são até menores. "Para competir financeiramente com o futebol paulista, por exemplo, é muito difícil. Falta infraestrutura mesmo. Em São Paulo há Campeonato Paulista Sub-11. Na Bahia falta recurso até para uma competição Sub-17". 
CBF tem dificuldade para identificar os talentos nas seleções de base
Manifestantes partem para Castelão protestar no jogo do BrasilClique no link para iniciar o vídeo
Manifestantes partem para Castelão protestar no jogo do Brasil
Durante sua gestão das categorias de base da CBF, Ney Franco definiu como prioridade tentar identificar jogadores nos clubes do Norte e do Nordeste. Na troca de comando que levou Alexandre Gallo ao cargo, porém, essa preocupação não parece se manter. Nas últimas três convocações de Gallo para os times Sub-17 e Sub-20 eram três jogadores - Douglas Santos, do Náutico, Willie, do Vitória, e Talisca, doBahia

"Acredito que há uma evolução no trabalho desses clubes", declara Marquinhos Santos, atual treinador do Coritiba e que dirigia as Seleções Sub-17 Sub-15 até o ano passado. "Fiz muitas visitações, acompanhamentos e há excelentes profissionais no futebol nordestino hoje. Há jogadores muito talentosos", conta.

Na segunda-feira, antes de os portões serem abertos, torcedores cearenses que foram ao Estádio Presidente Vargas gritavam para Luiz Felipe Scolari: "Osvaldo, Osvaldo, Osvaldo", em menção ao atacante do São Paulo nascido no Ceará. Prova de como nortistas e nordestinos se ressentem de jogadores "seus" na Seleção.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Alagoas é primeiro Estado do Nordeste em número de crianças vacinadas contra pólio

Alagoas alcançou 67,53% da meta estadual estabelecida para a Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, continuando em primeiro lugar na região Nordeste. De acordo com levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) nesta segunda-feira (17), 168.395 crianças entre seis meses e menores de cinco anos foram imunizadas. O objetivo é chegar a 249.351.

A faixa etária com maior índice de vacinados de seis meses a um ano, com 73,40%, seguida pelas de quatro anos (68,58%) e de dois anos (62,73%). Segundo o banco de dados, oito municípios alagoanos atingiram a meta, com mais de 95%; 78 com a cobertura entre 50% e 95% e enquanto 16 atingiram menos de 50% do preconizado.

A campanha segue até a sexta-feira (21), em mais de mil postos de vacinação espalhados pelo Estado. Para imunizar todas as crianças do público alvo, foram disponibilizados 3.500 vacinadores e distribuídas 330 mil doses da vacina oral às secretariais de Saúde, que também estão tendo apoio técnico e logístico do Governo de Alagoas em casos de necessidade.

Segundo a gerente estadual do Programa Nacional de Imunização (PNI), Denise Castro, foram realizadas visitas e disponibilizados veículos com tração para área de difícil aos municípios de Maribondo, Colônia de Leopoldina, Porto Calvo, Penedo, São Miguel dos Milagres e Arapiraca. A capital alagoana também recebeu apoio técnico, com visitas a diversos postos.

Ela destaca a importância da participação dos pais. “Apesar de sermos os primeiros do Nordeste, esse percentual poderia estar bem melhor. É preciso que os pais ou responsáveis procurem as unidades de saúde até o dia 21 para vacinar seus filhos, pois só assim eles estarão protegidos e poderemos evitar que eles adoeçam e morram. A pólio é uma doença grave e que ainda apresenta risco, pois não foi totalmente erradicada no mundo”, diz. A gerente do PNI destaca que, até agora, o Ministério da Saúde (MS) não levantou a possibilidade de prorrogar a campanha.

Dados

Há 24 anos, o Brasil não tem registros de poliomielite, estando livre do poliovírus desde 1990. Ainda assim, 16 países ao redor do mundo ainda apresentam casos, com três deles em situação endêmica – Paquistão, Afeganistão e Nigéria.

Em 2012 – quando foi instituída uma única etapa para a vacinação –, Alagoas atingiu 98,07% da meta preconizada pelo Ministério da Saúde (MS). Nos últimos anos, os percentuais ficaram em 98,62% (1ª etapa) e 97,17% (2ª etapa) em 2011; 83,82% e 91,66% em 2010 e 91,09% e 92,47% em 2009.

A poliomielite ou paralisia infantil é uma doença infectocontagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito. Acomete em geral os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principal característica a flacidez muscular. A enfermidade é causada pela infecção pelo poliovírus, que se espalha por contato com muco, catarro ou fezes infectadas.